quarta-feira, 22 de abril de 2015

Atividades 8º ano - Interpretação de texto e gramática

Leia o texto abaixo.

Vamos imaginar que a indústria farmacêutica desenvolveu uma pílula que pudesse prevenir doenças do coração, obesidade, diabetes e reduzir o risco de câncer, osteoporose, hipertensão e depressão.  Já temos esse remédio. E não custa nada. Está a serviço de ricos e pobres, jovens e idosos. É a atividade física.
(Gro Harlem Brundtland, diretora geral da OMS – Organização Mundial da Saúde) Folha de São Paulo, 6 abr. 2002.

1.  De acordo com o texto, o remédio que não custa nada e está a serviço de ricos e pobres, jovens e idosos
a) é uma pílula fabricada pela indústria farmacêutica.
b) só é encontrado nas farmácias.
c) é a atividade física.
d) ainda não existe.

Leia o texto abaixo.
O cachorro

As crianças sabiam que a presença daquele cachorro vira-lata em seu apartamento seria alvo da mais rigorosa censura de sua mãe. Não tinha qualquer cabimento: um apartamento tão pequeno que mal acolhia Álvaro, Alberto e Anita, além de seus pais, ainda tinha de dar abrigo a um cãozinho! Os meninos esconderam o animal em um armário próximo ao corredor e ficaram sentados na sala à espera dos acontecimentos. No fim da tarde a mãe chegou do trabalho. Não tardou em descobrir o intruso e a expulsá-lo, sob os olhares aflitos de seus filhos.
Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação.

2.  No texto, fica claro que haverá um conflito entre as crianças e a mãe, quando as crianças
a) resolvem levar um cachorro para casa, mesmo sabendo que a mãe seria contra.
b) levam para casa um cachorro vira-lata, e não um cachorro de raça.
c) decidem esconder o animal dentro de um armário.
d) não deixam o animal ficar na sala.

Leia o texto abaixo.

Jéssica veio do céu

Jéssica é somente uma garota de 11 anos (...). Mas tem a coragem de uma leoa e a calma de um anjo da guarda. Na noite de domingo, a casa em que ela mora se transformou num inferno que ardia em chamas porque um de seus irmãos causou o acidente ao riscar um fósforo. Larissa, de 7 anos, Letícia, de 3, e o menino de 8, que involuntariamente provocou o incêndio, foram salvos porque Jéssica (apesar de seus 11 anos) se esqueceu de sentir medo. Mesmo com a casa queimando, a garganta sufocando com a fumaça e a porta da rua trancada por fora (a mãe saíra), a menina não se desesperou. Abriu a janela de um quarto e através dela colocou, um por um, todos os irmãos para fora. Enquanto fazia isso, rezava. Ninguém sofreu sequer um arranhão. Só então Jéssica pensou em si própria. E sentiu muito medo. Pulou a janela e disparou a correr.
Revista Veja. São Paulo: Abril, 18 de fevereiro de 2004.

3. No trecho “Larissa, de 7 anos, Letícia, de 3 anos, e o menino de 8, que involuntariamente provocou o incêndio, foram salvos porque Jéssica (apesar de seus 11 anos) se esqueceu de sentir medo”, o trecho destacado se refere a (ao)
a) Larissa (de 7).
b) Letícia (de 3).
c) menino (de 8).
d) Jéssica (de 11).

Leia o texto abaixo.

Tatuagem

Enfermeira inglesa de 78 anos manda tatuar mensagem no peito pedindo para não proceder a manobras de ressuscitação em caso de parada cardíaca. (Mundo Online, 4, fev., 2003)

Ela não era enfermeira (era secretária), não era inglesa (era brasileira) e não tinha 78 anos, mas sim 42; bela mulher, muito conservada. Mesmo assim, decidiu fazer a mesma coisa. Foi procurar um tatuador, com o recorte da notícia. O homem não comentou: perguntou apenas o que era para ser tatuado.
– É bom você anotar – disse ela – porque não será uma mensagem tão curta como essa da inglesa. Ele apanhou um caderno e um lápis e dispôs-se a anotar.
– “Em caso de que eu tenha uma parada cardíaca” – ditou ela –, “favor não proceder à ressuscitação”. Uma pausa, e ela continuou:
– “E não procedam à ressuscitação, porque não vale a pena. A vida é cruel, o mundo está cheio de ingratos.” Ele continuou escrevendo, sem dizer nada. Era pago para tatuar, e quanto mais tatuasse, mais ganharia. Ela continuou falando.(...). Àquela altura o tatuador, homem vivido, já tinha adivinhado como terminaria a história (...). E antes que ela contasse a sua tragédia resolveu interrompê-la.
– Desculpe, disse, mas para eu tatuar tudo o que a senhora me contou, eu precisaria de mais três ou quatro mulheres.
Ela começou a chorar. Ele consolou-a como pôde. Depois, convidou-a para tomar alguma coisa num bar ali perto.
Estão vivendo juntos há algum tempo. E se dão bem. (...). Ele fez uma tatuagem especialmente para ela, no seu próprio peito. Nada de muito artístico (...). Mas cada vez que ela vê essa tatuagem, ela se sente reconfortada. Como se tivesse sido ressuscitada, e como se tivesse vivendo uma nova, e muito melhor, existência.

(Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 10/03/2003.)

4-  O fato gerador do conflito que constrói a crônica é a secretária
(A) ser mais jovem que a enfermeira da notícia.
(B) concluir que a vida não vale a pena.
(C) achar romântica a história da enfermeira
(D) ter se envolvido com o tatuador.

5 -  Um trecho do texto que expressa uma opinião da mulher é
(A) “Mesmo assim, decidiu fazer a mesma coisa.”
(B) “O homem não comentou; perguntou apenas o que era para ser tatuado.”
(C) “A vida é cruel, o mundo está cheio de ingratos.”
(D) “Ela começou a chorar. Ele consolou-a como pôde.”

6 - (valor: 0,3) O trecho do texto que retrata a consequência após o encontro da secretária com o tatuador é
(A) “Foi procurar um tatuador, com o recorte da notícia”.
(B) “Ele apanhou um caderno e um lápis e dispôs-se a anotar”.
(C) “E antes que ela contasse a sua tragédia resolveu interrompê-la”.
(D)” Estão vivendo juntos há algum tempo. E se dão bem”.

7  No período: “estamos tão envolvidos com a violência, que tendemos a acreditar que o mundo nunca foi tão violento como agora”, o sujeito da locução verbal em destaque é indeterminado.
a) (    ) verdadeiro                     b) (      ) falso                                     


8  “Arranjaram este mês um trabalho esquisito...” analisando esta frase isoladamente do contexto, podemos dizer que o seu sujeito é

( A ) desinencial (oculto), pois não aparece escrito, mas podemos identificá-lo.
( B ) simples, pois apresenta apenas um núcleo.
( C ) indeterminado, pois não podemos determinar quem arranjou um trabalho.
( D ) composto, pois apresenta mais de um núcleo.

9-  Numere de acordo com o caso.

( 1 ) sujeito oculto (2) sujeito indeterminado.

a)       (     ) Entregaram o cheque hoje pela manhã.
b)      (      ) Olhávamos as vitrines.
c)      (     ) Falou-se pouco sobre as reformas sociais.
d)      (     ) Com saudade, saí à procura do meu amigo.
e)       (     ) Coloquei os sapatos no chão.

10 – Complete as frases com uma das formas verbais entre parênteses, de acordo com a norma-padrão da língua.
a) Na reunião de pais só _____________ mães. (haviam/havia)
b)  ________________ dois meses que não vou à aula. (Fazem/Faz)
c) _______________ para dez anos que me aposentei. (Vai/Vão)
d) No inverno passado, _____________  na Flórida. (nevou/nevaram)
e) ______________um dia abafado e aborrecido. (Era/eram)

11 -  Reescreva as frases a seguir, indeterminando o sujeito das orações. Empregue o verbo na 3ª pessoa do plural.
a) O secretário falou de tudo na reunião.
b) Contemplei os livros, os quadros e as outras coisas.
c) Os advogados do réu usaram de todos os meios possíveis.
d)  Várias testemunhas depuseram na Delegacia a favor do acusado.

12 -  Reescreva as frases a seguir, empregando o verbo na 3ª pessoa do singular + o pronome se.
a) Eu ganhei a fama de valente.
b) Enviamos circulares a todos os chefes de seção.
c) Uma medalha de ouro destinamos ao campeão de natação.
d) O mágico tirava coelhos da cartola.

13 -  Reescreva os textos seguintes na forma de diálogo, ou seja, usando o discurso direto.
a) A patroa disse-lhe que não queria aquela funcionária em sua casa. 

b) Vanessa perguntou a Mário se o carro dele era novo.

14. 
O texto abaixo esta no discurso direto. Reescreva-o no discurso indireto.
a)  O vendedor informou:
- Eu garanto a marca deste produto.

b) - Esta casa é a única coisa que eu tenho - respondeu o pobre homem.


BOA APRENDIZAGEM!!!!

Atividades sobre VERBOS

1. Reescreva todos os verbos das questões abaixo.
a) Os escritores e professores fizeram uma boa conferência. 
b) Muitos agricultores, por medo, não desenvolveram a agricultura. 
c) Entregaram o cheque hoje pela manhã. 
d) Olhávamos as vitrines. 
e) As testemunhas reproduziram o acidente no depoimento. 
f) Falou-se pouco sobre as reformas sociais. 
g) Com saudade, saí à procura do meu amigo.
h) A cadeira de balanço e o tricô inacabado lembravam-me os tempos de infância.

2 – Leia o texto e faça o que se pede.
Cores
  As cores podem interferir no estado de espírito das pessoas. Quer saber como?

Vermelho: estimula a circulação sanguínea e abre o apetite. Desperta o senso de competitividade e é, portanto, ideal para práticas esportivas.
Violeta: acalma o coração, diminui o medo e a angústia.
Azul: relaxa os músculos e favorece a meditação. Em roupas, aumenta a tranquilidade, mas seu uso constante pode acabar gerando preguiça.
(O Guia dos Curiosos. São Paulo: Cia. da Letras, 1995.)

Coloque os verbos destacados no texto no infinitivo e informe a qual conjugação pertencem. Veja o exemplo: ESTIMULA: verbo estimular, 1ª conjugação.

3. Sublinhe os verbos e escreva o que cada um deles expressa (ação, estado ou fenômeno da natureza)
a) O telefone tocou seguidamente no meu quarto.
b) Fui com ele ao parque de diversões.
c) Lá fora ventava forte, com o prenúncio de uma grande chuva. 
d) Meu pai estava furioso com a minha demora.
e) Pedro corria pela calçada com seus patins novos.


4 - Indique os o RADICAL, a VOGAL TEMÁTICA, o TEMA e as DESINÊNCIAS dos verbos abaixo. Veja o modelo:

Cantarei: R = cant-        VT= -a T= canta                      DES= rei


a) falara R________VT____T____________DES_______________
b) namoraria R________VT____T____________DES_______________
c) sorríssemos R________VT____T____________DES_______________
d) perdemos R________VT____T____________DES_______________
e) jogamos R________VT____T____________DES_______________
f) cantássemos R________VT____T____________DES_______________
g) gostara R________VT____T____________DES_______________
                                                                                                                            
5.  Indique a pessoa e o número dos verbos em destaque.
a) Coloquei os sapatos no chão. 
b) Gostaremos de viajar de avião. 
c) Quando escreverem, contem tudo. 

Interpretação do texto "Por que temos febre?"

POR QUE TEMOS FEBRE?

Temperatura alta é sinal de que seu organismo está sendo atacado por micróbios. Você acorda e parece que o dia será como outro qualquer. Pula da cama, mas um cansaço logo toma conta do seu corpo. Então, você volta para o quarto e se esconde debaixo do cobertor. Sente frio e, em seguida, começa a suar. O coração às vezes acelera, a respiração fica ofegante e suas bochechas ficam vermelhas como um tomate. É ela, a febre, que veio te pegar!
 Calma! A febre não é um monstro. É apenas um sinal de que o seu organismo está sendo atacado por microorganismos nocivos à saúde. Só fique atento para não confundir. Febre com situações que levem ao aumento de temperatura corporal, como se agasalhar e se exercitar muito. Em geral, a febre vem acompanhada de algum outro sintoma, que pode ser dor de garganta, dor de ouvido, manchas pelo corpo, diarréia, vômito etc. Nestes casos, pode apostar que alguma doença está para chegar.
 Na verdade, a febre é resultado da ação de uma substância chamada prostaglandina.O nome é difícil de pronunciar, mas sua função é relativamente simples: Levar ao cérebro a mensagem de que é necessário aumentar a temperatura do corpo para sinalizar que há algum micróbio invasor em atividade. Alertas ligados! Nosso sistema Imunológico, ou melhor, de defesa, se prepara para combater a infecção. Às vezes, o organismo não conta desse combate sozinho e precisa da ajuda de medicamentos para reagir melhor. É por isso que, quando não melhoramos da febre, vamos ao médico para nos consultar e tomar o remédio certo.
                  YAMAMOTO, Renato. Por que temos febre? Ciência Hoje das Crianças, São Paulo,n. 143, jan/fev. 2004
01.     A febre é
a)    um sinal de que o organismo está sendo atacado.
b)    uma doença causada por microorganismos.
c)    um efeito de situações como se agasalhar ou se exercitar muito.
d)    um fenômeno sem importância, que não merece atenção.

02.  O trecho “o nome é difícil de pronunciar, mas sua função é relativamente simples”, e se refere à
a)    temperatura do corpo.
b)    prostaglandina.
c)    febre.
d)    doença.


     03.    Quando diz que “a febre não é um monstro” o autor quer dizer que a febre
a)    é uma doença perigosa.
b)    não deve nos assustar demais.
c)    não é causada por monstros.
d)    é um sinal de que nosso corpo está saudável.

04.    A prostaglandina faz com que o cérebro aumente a temperatura do corpo para
a)    assustar os micróbios invasores para que eles deixem o nosso corpo.
b)    causar uma infecção grave em alguma parte do corpo.
c)    avisar o organismo de que é necessário comprar medicamentos.
d)    avisar o sistema imunológico da presença de um  micróbio invasor.

05.  Este texto apresenta as informações
a)     explicando as reações do organismo quando se tem febre.
b)    descrevendo os sintomas de uma doença muito grave.
c)     listando as doenças que os monstros apresentam.
d)    informando que os esportes podem causar febre

06.  Qual a finalidade do texto “Por que temos febre?”
(A) Contar uma história.                        (C) Dar instrução.
(B) Divertir o leitor.                               (D) Informar o leitor.

07. As palavras destacadas no texto indicam:
(A) ação.                                             (C) nome de alguma coisa.        
 (B) lugar.                                            (D) características.       

08. Como classe gramatical, as palavras destacadas são denominadas de:
(A) substantivos.                                   (C) verbos.       
 (B) adjetivos.                                      (D) pronomes. 


Interpretação de texto "O leão e o ratinho"

O LEÃO E O RATINHO
Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma boa árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.
Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu embaixo da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.
Uma boa ação ganha outra.

Fonte: Esopo. Ler e escrever: Livro de textos do aluno/Secretaria da Educação, FDE. São Paulo: FDE, 2008

01 - O leão conseguiu se soltar da rede dos caçadores porque
(A) prendeu o ratinho com a pata.
 (B) desistiu de esmagar o ratinho.
(C) deixou o ratinho ir embora.
(D) o ratinho roeu as cordas.

02 - A fábula O leão e o ratinho quer
(A) ensinar o leitor, com diferentes situações
(B) descrever as relações dos animais na floresta.
(C) revelar grandes segredos ao leitor.
(D) contar sobre a fuga do leão.

03 - A expressão que apresenta uma qualidade, revelando a opinião do narrador na fábula O leão e o ratinho é
(A) “fazia a floresta inteira tremer”.
(B) “todos conseguiram fugir”.
(C) “cansado de tanto caçar”.
(D)”dormia espichado”.

04 – As características do texto “O leão e o ratinho”, tais como – o tipo de personagens e a presença de moral, exemplificam o texto conhecido como
(A) receita.
(B) fábula.
(C) campanha publicitária.
(D) história em quadrinhos.



sábado, 11 de abril de 2015

Texto, contexto e intertexto


Texto é, literalmente, um tecido verbal estruturado de tal forma que as ideias formam um todo coeso, uno, coerente. A imagem de tecido contribui para esclarecer que não se trata de feixe de fios entrelaçados (frases que se inter-relacionam).
Todas as partes de um texto devem estar interligadas e manifestar um direcionamento único. Assim, um fragmento que trata de diversos assuntos não pode ser considerado texto. Da mesma forma, se lhe falta coerência, se as ideias são contraditórias, também não constituirá um texto. Se os elementos da frase que possibilitam a transição de uma ideia para outra não estabelecem coesão entre as partes expostas, o fragmento não se configura texto. Essas três qualidades - unidade, coerência e coesão - são essenciais para a existência de um texto. Um texto é mais ou menos eficaz dependendo da competência de quem o produz, ou da interação de autor-leitor, ou emissor-receptor. O texto exige determinadas habilidades do produtor, como conhecimento do código, das normas gramaticais que regem a combinação dos signos. A competência na utilização dos signos possibilita melhor desempenho.
Textos orais e escritos

Define-se como informações que acompanham o texto. Por isso, sua compreensão depende da compreensão do contexto. Assim sendo, não basta a leitura do texto, é preciso retomar os elementos do contexto, aqueles que estiveram presentes na situação de sua construção.
O contexto deve ser visto em suas duas dimensões: estrutura de superfície e estrutura de profundidade. A estrutura de superfície considerada os elementos do enunciado, enquanto a estrutura de superfície considera os elementos do enunciado, enquanto a estrutura de profundidade considera a semântica das relações sintáticas. Num caso, o leitor busca o primeiro sentido pelo produzido pelas orações; no outro, vasculha a visão do mundo que informa o texto.
O contexto pode ser imediato ou situacional.
O contexto imediato relaciona-se com os elementos que seguem ou precedem o texto imediatamente. São os chamados referentes textuais.
O contexto situacional é formado por elementos exteriores ao texto. Esse contexto acrescenta informações, quer históricas, quer geográficas, quer sociológicas, quer literárias, para maior eficácia da leitura que se imprime ao texto.

Além do contexto, a leitura deve considerar que um texto ode ser produto de relações com outros textos. Essa referência e retomada constante de textos anteriores recebe o nome de paráfrase, paródia, estilização.
A paráfrase pode ser ideológica ou estrutural. No primeiro caso. O desvio é mínimo: varia a sintaxe, mas as ideias são as mesmas. Há apenas uma recriação das ideias. Pode-se entender a paráfrase ideológica como simples tradução de vocábulos, ou substituição de palavras por outras de significado equivalente. No segundo caso há uma recriação do texto e do contexto. O comentário crítico, avaliativo, apreciativo, o resumo, a resenha, a recensão são formas parafrásticas estruturais de um texto.
A estilização exige recriação do texto, considerando, sobretudo procedimentos estilísticos. O desvio em relação ao texto, original é maior do que no caso da paráfrase.
Na paródia, o desvio é total; às vezes invertem-se as ideias, vira-se o texto do avesso. Há uma ruptura, uma deformação propositada, tendo em vista mostrar a inocência do texto original ou simplesmente apresentar outras ideias que o texto original omitiu ou não se interessou em expor.
Textos virtuais: a onda do momento

Os elementos estruturais do texto são: o saber partilhado, a informação nova, as provas, a conclusão.
Por saber partilhado entende-se a informação antiga, do conhecimento da comunidade. De modo geral, o saber partilhado aparece na introdução, um local privilegiando para a negociação com o leitor.
O emissor negocia com o leitor, coloca-se num nível de entendimento, estabelece um acordo, para em seguida, expor informações novas.
A informação nova serve para desenvolver o texto, expandi-lo. O autor considera como não sendo do conhecimento de todos e, portanto, capaz de estimular o leitor a continuar na leitura. A existência de um texto implica ter algo de novo para dizer.
O saber partilhado mais a informação nova não são suficientes para a realização de um texto. É preciso acrescentar provas, fundamentos das afirmações expostas.
O autor do texto cita como prova de suas afirmações o livro. Se o leitor duvidar de suas asserções, poderá recorrer ao livro e chegar às mesmas conclusões que ele.

Ao saber partilhado, à informação nova, às provas o autor junta seus objetivos, pois todo texto visa chegar a algum lugar.
(Fonte:  http://oblogderedacao.blogspot.com.br/2014/04/texto-contexto-intertexto.html)

A professora e a Maleta


(Lygia Bojunga)

      A Professora era gorducha; a maleta também. A Professora era jovem; a maleta era velha, meio estragada.

      A Professora gostava de ver a classe contente. Mal entrava na sala e já ia contando uma coisa engraçada. Depois abria a maleta e escolhia o pacote do dia. Tinha pacotes pequenininhos, médios, grandes tinha pacote embrulhado em papel de seda, metido em saquinho de plástico, tinha pacote de tudo quanto é cor. Não era à toa que a maleta ficava gorda daquele jeito!

      Só pela cor do pacote as crianças já sabiam o que ia acontecer: pacote azul era dia de inventar brincadeiras de juntar menina e menino; não ficava mais valendo aquela história mofada de menino só brincar disso, menina só brinca daquilo, meninos do lado de cá, meninas do lado lá. Pacote cor-de-rosa era dia de aprender a cozinhar. A Professora remexia no pacote, entrava e saia da classe e, de repente pronto!     Mostrava um fogão com botijãozinho de gás e tudo. Era um tal de experimentar receita que só vendo. Um dia a diretora da escola entrou na sala, justo na hora que o Alexandre estava ensinando outro garoto a fazer bolinhos de trigo. Uma fumaceira medonha na sala de aula! Todas as crianças em volta do fogão palpitando: falta sal, bota pimenta, bota um pouquinho de salsa. A diretora sabia que estava na hora da aula de matemática. Que matemática era aquela que a Professora estava inventando? Não gostou da invenção, mas saiu sem dizer nada.

      Pacote vermelho era de viajar: saía retrato do mundo inteiro lá de dentro do pacote. Espalhavam aquilo tudo pela classe; enfileiravam as carteiras para fingir de avião e de trem. Quando chegavam aos retratos, um ia contando para o outro tudo o que sabia sobre aquele lugar.

     Tinha um pacote cor de burro quando foge que a Professora nunca chegou a abrir! Todo dia ela botava o pacote em cima da mesa. Mas na hora de abrir, ficava pensando se abria ou não e acabava guardando o pacote de novo.

      Pacote verde era dia de aprender a pregar botão, botar fecho, fazer bainha na calça e na saia. Se o verde era bem forte, era dia de aprender a cortar a unha e cabelo. Verde bem clarinho era dia de consertar e limpar os sapatos. E tinha ainda um verde, que não era forte nem claro: era um amarelo que as crianças adoravam. Era dia da Professora abrir o pacote de história. Cada história ótima!

      Tinha um pacote branco, que só servia para a professora esconder e para a turma brincar de achar.     Quem achava ia para o quadro negro dar aula. No princípio ninguém procurava direito. Coisa mais chata dar aula! E aula de quê?

      _ Conta a tua vida. Mostra o que você sabe fazer.

      Com o tempo, a turma deu para procurar direito o pacote. Era muito engraçada a tal aula!

      No dia em que o Alexandre achou o pacote, resolveu contar para a turma como é que ele vendia amendoim na praia. No melhor da aula, um grupo de pais de alunos que visitando a escola entrou na sala. Quando a aula acabou um deles perguntou a Professora: − A senhora está querendo ensinar meu filho a ganhar a vida vendendo amendoim? A Professora explicou que Alexandre só estava contando para os colegas como era o trabalho dele, para todos ficarem sabendo como é que ele vivia.

      No outro dia saiu fofoca: contaram para o Alexandre que tinha um pessoal que não estava gostando da maleta da Professora.

      _ Que pessoal?

      Um disse que era a diretora, outro disse que era uma outra professora, outro disse que outro falou, mas ninguém ficou sabendo direito!

      Uns dias depois choveu muito! Chuva grossa. Encheu a rua, o tráfego da cidade parou, casa desmoronou. Coisa a beça aconteceu. E quase ninguém foi à Escola. Mas Alexandre foi.

      Entrou na classe e viu tudo vazio. Chovia demais para voltar para casa. Resolveu sentar e esperar. Lá pelas tantas a Professora chegou. Mas chegou sem a maleta. E com jeito diferente, uma cara meio inchada, não contou coisa engraçada, não riu nem nada. Sentou e ficou olhando para o chão. Alexandre achou que ela nem tinha visto ele.

      _ Oi!

      Ela também disse oi! Mas continuou quieta. Depois de algum tempo, Alexandre cansou de tanto ninguém dizer nada e falou:

      _ A chuva molhou sua cara?

      A professora nem se mexeu. Ele perguntou:

      _ Foi a chuva?

      Ela fez que sim com a cabeça. Alexandre resolveu esperar mais um pouco. Mas pelo jeito a Professora tinha esquecido de dar aula. Será que era porque ela não tinha trazido a maleta? Arriscou:

      _ Cadê a maleta?

      A Professora olhou para ele sem saber muito bem o que dizer. Ele insistiu:

      _ Heim? Cadê?

      _ Perdi
 
      Ele se apavorou:

      _ Com tudo que tinha dentro?
 
      _ É

      _ Os pacotes todos?

      _ É

      _ O azul, o verde, o...

      _ É... É... É!

      Puxa que susto! Ela nunca tinha falado alto assim. Não perguntou mais nada. O coração ficou batendo, batendo, mas ela continuava sempre quieta até que ele não se aguentou e perguntou de novo:

      _ E agora? Como é que vai dar aula sem maleta?

      _ Não sei.
  
      _ Dá jeito de você comprar os pacotes de novo?
 
      _ Não.
 
      _ Por quê?

      Ela não disse nada.

      _ Responde... Por quê?

      _ Eles vêm junto com a maleta? Não vendem separados?
 
      _ Mas então compra outra maleta. Pronto.

      Ela ficou quieta de novo. E o tempo ia passando e ela continuava sempre quieta! A cara dela não secava nunca e não chovia lá dentro. Cada vez molhava mais! Então ele acabou pedindo:

      _ Compra, sim?
 
      _ Não dá Alexandre, eles não estão mais fabricando essas maletas hoje em dia.

      E aí... ele não perguntou mais nada. Ela também não falou mais. Até que a campainha tocou e a aula acabou.

Rondônia premiada em nível Nacional