sábado, 11 de abril de 2015

A professora e a Maleta


(Lygia Bojunga)

      A Professora era gorducha; a maleta também. A Professora era jovem; a maleta era velha, meio estragada.

      A Professora gostava de ver a classe contente. Mal entrava na sala e já ia contando uma coisa engraçada. Depois abria a maleta e escolhia o pacote do dia. Tinha pacotes pequenininhos, médios, grandes tinha pacote embrulhado em papel de seda, metido em saquinho de plástico, tinha pacote de tudo quanto é cor. Não era à toa que a maleta ficava gorda daquele jeito!

      Só pela cor do pacote as crianças já sabiam o que ia acontecer: pacote azul era dia de inventar brincadeiras de juntar menina e menino; não ficava mais valendo aquela história mofada de menino só brincar disso, menina só brinca daquilo, meninos do lado de cá, meninas do lado lá. Pacote cor-de-rosa era dia de aprender a cozinhar. A Professora remexia no pacote, entrava e saia da classe e, de repente pronto!     Mostrava um fogão com botijãozinho de gás e tudo. Era um tal de experimentar receita que só vendo. Um dia a diretora da escola entrou na sala, justo na hora que o Alexandre estava ensinando outro garoto a fazer bolinhos de trigo. Uma fumaceira medonha na sala de aula! Todas as crianças em volta do fogão palpitando: falta sal, bota pimenta, bota um pouquinho de salsa. A diretora sabia que estava na hora da aula de matemática. Que matemática era aquela que a Professora estava inventando? Não gostou da invenção, mas saiu sem dizer nada.

      Pacote vermelho era de viajar: saía retrato do mundo inteiro lá de dentro do pacote. Espalhavam aquilo tudo pela classe; enfileiravam as carteiras para fingir de avião e de trem. Quando chegavam aos retratos, um ia contando para o outro tudo o que sabia sobre aquele lugar.

     Tinha um pacote cor de burro quando foge que a Professora nunca chegou a abrir! Todo dia ela botava o pacote em cima da mesa. Mas na hora de abrir, ficava pensando se abria ou não e acabava guardando o pacote de novo.

      Pacote verde era dia de aprender a pregar botão, botar fecho, fazer bainha na calça e na saia. Se o verde era bem forte, era dia de aprender a cortar a unha e cabelo. Verde bem clarinho era dia de consertar e limpar os sapatos. E tinha ainda um verde, que não era forte nem claro: era um amarelo que as crianças adoravam. Era dia da Professora abrir o pacote de história. Cada história ótima!

      Tinha um pacote branco, que só servia para a professora esconder e para a turma brincar de achar.     Quem achava ia para o quadro negro dar aula. No princípio ninguém procurava direito. Coisa mais chata dar aula! E aula de quê?

      _ Conta a tua vida. Mostra o que você sabe fazer.

      Com o tempo, a turma deu para procurar direito o pacote. Era muito engraçada a tal aula!

      No dia em que o Alexandre achou o pacote, resolveu contar para a turma como é que ele vendia amendoim na praia. No melhor da aula, um grupo de pais de alunos que visitando a escola entrou na sala. Quando a aula acabou um deles perguntou a Professora: − A senhora está querendo ensinar meu filho a ganhar a vida vendendo amendoim? A Professora explicou que Alexandre só estava contando para os colegas como era o trabalho dele, para todos ficarem sabendo como é que ele vivia.

      No outro dia saiu fofoca: contaram para o Alexandre que tinha um pessoal que não estava gostando da maleta da Professora.

      _ Que pessoal?

      Um disse que era a diretora, outro disse que era uma outra professora, outro disse que outro falou, mas ninguém ficou sabendo direito!

      Uns dias depois choveu muito! Chuva grossa. Encheu a rua, o tráfego da cidade parou, casa desmoronou. Coisa a beça aconteceu. E quase ninguém foi à Escola. Mas Alexandre foi.

      Entrou na classe e viu tudo vazio. Chovia demais para voltar para casa. Resolveu sentar e esperar. Lá pelas tantas a Professora chegou. Mas chegou sem a maleta. E com jeito diferente, uma cara meio inchada, não contou coisa engraçada, não riu nem nada. Sentou e ficou olhando para o chão. Alexandre achou que ela nem tinha visto ele.

      _ Oi!

      Ela também disse oi! Mas continuou quieta. Depois de algum tempo, Alexandre cansou de tanto ninguém dizer nada e falou:

      _ A chuva molhou sua cara?

      A professora nem se mexeu. Ele perguntou:

      _ Foi a chuva?

      Ela fez que sim com a cabeça. Alexandre resolveu esperar mais um pouco. Mas pelo jeito a Professora tinha esquecido de dar aula. Será que era porque ela não tinha trazido a maleta? Arriscou:

      _ Cadê a maleta?

      A Professora olhou para ele sem saber muito bem o que dizer. Ele insistiu:

      _ Heim? Cadê?

      _ Perdi
 
      Ele se apavorou:

      _ Com tudo que tinha dentro?
 
      _ É

      _ Os pacotes todos?

      _ É

      _ O azul, o verde, o...

      _ É... É... É!

      Puxa que susto! Ela nunca tinha falado alto assim. Não perguntou mais nada. O coração ficou batendo, batendo, mas ela continuava sempre quieta até que ele não se aguentou e perguntou de novo:

      _ E agora? Como é que vai dar aula sem maleta?

      _ Não sei.
  
      _ Dá jeito de você comprar os pacotes de novo?
 
      _ Não.
 
      _ Por quê?

      Ela não disse nada.

      _ Responde... Por quê?

      _ Eles vêm junto com a maleta? Não vendem separados?
 
      _ Mas então compra outra maleta. Pronto.

      Ela ficou quieta de novo. E o tempo ia passando e ela continuava sempre quieta! A cara dela não secava nunca e não chovia lá dentro. Cada vez molhava mais! Então ele acabou pedindo:

      _ Compra, sim?
 
      _ Não dá Alexandre, eles não estão mais fabricando essas maletas hoje em dia.

      E aí... ele não perguntou mais nada. Ela também não falou mais. Até que a campainha tocou e a aula acabou.

Rondônia premiada em nível Nacional


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Poesias 8° ano: Pintando poesia em versos e rimas

        Os poemas aqui apresentados são resultado de muito esforço dos estudantes  da escola Governador Jorge Teixeira de Oliveira, durante o projeto “Poesia na escola”, desenvolvido em março de 2013.
       Do ponto de vista material, as produções seguem com uma linguagem acessível ao público infanto-juvenil o qual se destina, especialmente à ação pedagógica inerente ao processo ensino-aprendizagem, com o propósito de familiarizar os estudantes com o gênero.
      Sinta-se, assim, leitor, convidado a deixar-se encantar com os textos! Essa será a melhor maneira de homenagear esses aprendizes. 


A ARTEIRA DA MAMÃE


Mãe me empresta tua calça,
Tua blusa e os teus anéis,
 Depois me passa um batom                                        
 Porque o desfile está muito bom.

 Deixa eu me olhar no espelho,
 Deixa só por um minuto
 Quero a sombra mais rosa,
 Quero o anel mais escuro.
      
A sala é uma passarela
Requebro e desfilo muito
Desfilo até eu me cansar
E depois vou alegre me deitar.

Depois de descansar
Volto a desfilar,
Na minha querida passarela,
Por que eu gosto muito dela.

 Autoras: Thaís Ribeiro de Assis e Micaele Ferreira Silva

8º Ano “A”/2013 



A COCA COLA NA ESCOLA

  No pátio da escola
Os alunos jogavam bola
E o guarda muito bravo
Vendo-os tomando coca cola.

Quando acabaram de beber
Jogaram o litro de plástico
No meio do pequeno pátio
Para que todos pudessem ver.
         
Outros alunos chamaram a diretora
Quando ela chegou para ver
No lugar não sobrou nem professora
Todos correram para não se comprometer!

  
Autores: Naor da Silva e Diego Santos
8º Ano “A”/2013 


AH! COMO É LINDO!

Ah! Como é lindo o mar!
É tão lindo como amar
Gostoso como flutuar
É a felicidade do olhar!

Ah! Como é perfeito o sol!
Parece o girassol
Ele é tão quente
Parece o fogo ardente!

Ah! Como é maravilhosa a lua!
O sol vai embora e ela continua.
Será que ela manhosa e dengosa?
Não sei, não sei. Só sei que ela é poderosa!

Ah! Como são brilhantes as estrelas!
Elas brilham levando embora a tristeza.
De tanto brilhar nos faz enxergar
De tanto brilhar nos faz mais amar!

Ah! Como são maravilhosas as coisas feitas por Deus!
É lindo o carinho como cuida dos filhos teus.
Se pararmos para olhar, vamos enxergar
Como tudo é perfeito e que não cabe num só olhar!

  Autores: Andreinna da Silva Campos e
 Mateus Souza de Jesus.
8º Ano “A”/2013 


ALEGRIA DE MENINO

 A natureza é linda... é bela…
Eu olho pro céu e vejo uma linda luz amarela.
Olho para terra e vejo um lindo “Passarim”
Com cores amarelas e com cheiro de jasmim.

Eu acordo para vida e começo a voar
Sentindo no rosto, o vento leve a soprar.
em imaginava que eu podia flutuar
Fiz esse pedido a se realizar.
                      
As nuvens se fecham
Parece que vai chover
Não to acreditando
O arco-íris vai de novo aparecer.


Segui o arco-íris até o final da estrada,
Quando cheguei lá, não encontrei nada.
Ouço uma voz: _Venha para dentro!
 Porque acabou a hora de brincar neste momento!

Eu corro para dentro
Pensando no que aconteceu.
Posso não ter voado de verdade
O importante é o que se viveu.

Eu não vejo a hora de novo sol raiar
Para eu poder correr e com a natureza ir brincar!
Quero viver de novo, o que vivi neste dia.
Correr atrás do arco-íris e viver com alegria


Autor: Anderson Dione Rodrigues Santos
8º Ano “U”/2013 


 ALEGRIA DE POBRE


Certo dia um homem pobre
Encontrou um milhão
Pensou pagar as dívidas
E até ir a um parque de diversão.

Como alegria de pobre dura pouco 
le viu na televisão
Que um homem muito rico
Perdeu um dinheirão.


Ele ficou bolado com a notícia
Que tirou seu dinheirão
Pois resolveu devolver
“Meu Deus, mas que decepção!”
“Eu ia pagar escola pros meus filhos
E até ajudar meu amigão.


Nem por isso não vou me matar
Pois honesto quero ser
Para a morte não enfrentar
E porque no céu quero viver”.


Autor: Mateus S. de Jesus
                                                  8º Ano “U”/2013 




AMOR PERFEITO

        O amor é lindo, para quem sabe amar.
Você é lindo porque aprendi a te amar.
O que é o amor?

Amar é...
Encontrar a alma gêmea.
Viver sempre contente
E gostar de alguém que também gosta da gente.

Amar é...
Encontrar a pessoa que nos faz feliz
É sentir os lábios doces como mel
E perfeito como o céu.


Autora: Marta Rocha de Oliveira
8º Ano “U”/2013



AS BELEZAS NATURAIS

A natureza é bela,
Bela de se ver,
Vamos todos cuidar
Para ela não morrer.
                             
 A natureza é tão bela,
Tem cores e animais,
Olho pela janela,
 as belezas naturais.

Tem plantas e árvores,
 A gente pode ver,
 Vamos preservar
 Para não perder.
                           
  Tem rios e lagos,
  É lindo de se ver,
  Olho pela janela,
  A água a correr


  Autoras: Naruna Gabrieli Serafim e Daiane Soares Pereira 8º Ano “U”/2013



AS VAQUINHAS DIFERENTES

Tinha uma vaca fofoqueira,                   
Uma vaca muito curiosa.      
Um dia ouviu um boi dizer,
Que as vacas eram manhosas. 
                                                         
Eram boas para corte,               
E ficavam toda arrepiadas,              
Nunca mais deu ouvidos
Para aquelas fofocadas

A vaca amarela,
Ganhou uma rosa
E uma declaração de amor,             
De um boi voador,
Doidinho por ela.         
A vaca falante,   
Chegou de repente, 
A sua boca era uma lua,    
Com um sorriso de contente:   
“Que beleza, que consolo!
Eu faço aniversário!
E aí? Lembraram-se do bolo?”

“O bolo da vaca é feito de alface,       
Misturado com legumes!!!”
Dizia todo alegre, 
O guloso vaga-lume.         
                                                                               
Autoras: Aniele Francisca Miquelini
Letícia Ribeiro de Assis



CONSCIÊNCIA

A natureza gritou por socorro
Agente não ouviu
Derrubamos várias arvores
E a mata atlântica sumiu.

A mata morreu
E com ela a esperança
Nunca mais veremos o verde
De nossa querida mata atlântica.

Você tem consciência,
Que nós estamos ajudando a matá-la
O verde se acabou
Precisamos ajudá-la.

Autores: Edvam de Moraes Rodrigues
Lidiene de Moraes Rodrigues
8º Ano “U”/2013




LEÕES DOURADOS

Daqui alguns anos estarão acabando
Mais uma vez restarão apenas três.

São os leões dourados
Que agora estão ameaçados
Pois o homem desmatou
E a sua casa derrubou.
     
Agora que o homem destruiu
Depois com a sua casa ele sumiu
Mais uma vez contra eles o homem tramou
No momento em que a mata derrubou.

E agora de mansinho
Eles tentam ajudar
Em cativeiro os leões dourados,
Eles tentam procriar.
E sem uma casa para morar
Os micos-leões-dourados vão acabar.

Autores: Gabriel de Oliveira Pinheiro,
Jonatan Henrique Campin Santos
Christian Chafão dos Santos Noquelli.
8º Ano “U”/2013 



MÃE, A LUZ DO MEU CAMINHO

Como era linda minha mãe
Linda minha mãe era
Ela era perfeita como as estrelas
Eu gosto muito dela.

Era a luz do meu caminho
Nunca me deixou sozinha
Ensinou-me a amar
A orar e até cantar.

Minha mãe era...
Aquela linda mulher
Doce, gentil e dengosa,
Amada e muito amorosa.

Como era linda minha mãe!
Linda era por natureza.
Um presente à sua beleza
Líder com muita grandeza!

Mãe, beleza inexplicável,
Linda e incomparável
Era quem só queria me fazer feliz
Mamãe, aquela que sempre me diz:
“Vou te amar! Para sempre vou te amar!”

Autora: Andreinna da Silva Campos
8º Ano “U”/2013




 MEU FUSCA VELHO

Meu carro é um fusca
Eu não tenho muita frescura
Ele é marrom com bege
E com umas pintas de ferrugem

O vidro está trincado
E o banco todo rasgado.
O pneu está careca
O motor está um jeca

O carro está todo empoeirado
Ele está todo arranhado
Mas nunca vou lhe deixar de lado.
Eu não vendo o meu carro nunca
Porque ele é o meu fusca!


Autores: Edvam de Moraes Rodrigues
 Lidiene de Moraes Rodrigues
8º Ano “U”/2013 




O GRITO DA NATUREZA

A natureza é uma coisa bela
Bela de se ver
Se destruir a natureza
Sem ar puro vamos viver!

A natureza é verde
Cheia de plantas e animais
Cheia de frutos e cores
E de belezas naturais.


Pare, pense e veja.
O que nós estamos fazendo
Destruindo a natureza
Para construir apartamentos.

A natureza pede:
Liberte-me neste momento
Seus motosserras me travam
E deixam-me sem movimento.


Katria Vitória Pereira Bianchi e Daialice Soares Pereira
8º Ano “A”/2013


  
 VIDA AZUL

Céu azul, rio azul
Céu azul, rio azul, olho azul
Céu azul, rio azul, olho azul e uniforme azul.
Parede azul, minha cor é azul

Você olha e ver azul
A letra no quadro é azul
A escola é azul.
Os rios, o mar e céu é azul

Minha vida é azul
Eu vivo minha vida
Vida azul, azul, azul...


Autores: Sadraque Quintiliano de Oliveira e André Albuquerque Ribeiro
8º Ano “A”/2013




Olimpíada de Língua Portuguesa 2010

GERAL | 20/10/2010
Aluno da escola Jorge Teixeira de Jaru ganha prêmio da Olimpíada de Língua Portuguesa

            Jhonatan de Amorim Rezende, aluno do 9º ano da escola Governador Jorge Teixeira, situada no Setor 07, em Jaru, e a professora Ediléia Batista de Oliveira foram premiados na Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro”, na categoria Crônica.
           O estudante foi vencedor da Olimpíada com a crônica cujo tema foi “A gostosa quentinha”, O texto foi produzido por ele na escola durante as oficinas da Olimpíada, sendo orientado pela professora Ediléia e analisado por uma Comissão Julgadora Escolar e Municipal e em seguida, aconteceram as Comissões Estaduais, nas quais foram avaliados aproximadamente 17.700 textos, vindos de 4.770 municípios brasileiros. Passando por todas essas etapas, o texto foi selecionado como um dos 500 semifinalistas da Olimpíada em todo o Brasil.
         Jhonatan e a professora Ediléia foram presenteados com uma viagem para Curitiba/PR e seguem viagem no próximo dia 3 de novembro, onde concorrerá a próxima etapa. Os textos semifinalistas serão avaliados por comissões julgadoras, que escolherão os finalistas do programa.
        Para a professora, esta premiação propicia o justo reconhecimento do talento do aluno premiado, pois não valoriza somente o estudo, mas principalmente a valorização do trabalho de todo corpo docente da escola Jorge Teixeira.
      “É com grande alegria que a equipe de profissionais em Educação da escola Jorge Teixeira vem parabenizá-los pela classificação”, declarou a orientadora Francinete Rego Soares.

Fonte: Anoticiamais

Autor: Flávio Afonso